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Você está preparado para um mundo sem chefe?

Em 2012 dei uma entrevista para o portal de literatura e cultura A Gente Escreve sobre os líderes do futuro.
Lembrei-me que naquela entrevista o jornalista me fez a seguinte pergunta:

“No contexto do “Novo Capitalismo”, os jovens são abordados pelas técnicas de formação empresarial para se transformarem em líderes natos, sempre vencedores. Em um mundo formado apenas por líderes, quem seguiria quem?“

Minha resposta foi na linha de que nas empresas mais evoluídas em gestão, que querem aproveitar o potencial criativo e empreendedor das novas gerações de profissionais e investem em equipes de alta performance ninguém segue ninguém e todo mundo exerce a liderança dependendo da situação e da exigência do momento, portanto, é muito desejável que todos tenham características de liderança.

Desnecessário dizer que fui muito questionado quanto a isso e o principal argumento daqueles que discordaram foi a falta de maturidade dos funcionários, baixo nível de comprometimento, falta de visão sistêmica ou estratégica, blá blá blá… blá blá bla…

Três anos depois ficou muito mais fácil falar sobre isso, aliás, agora é possível discutir o conceito que já tem nome e alguns bons cases para serem estudados.

O conceito é a Holocracia e os cases, só para citar alguns, são a Zappos, a Valve e a Medium, empresas americanas que mostram que inovação para eles esta muito além do modelo de negócio, da tecnologia empregada ou dos produtos/serviços vendidos.

Inovação está na cultura dessas empresas e, portanto, está presente também na forma como fazem a gestão de pessoas.

A Zappos avisou seus 1500 funcionários que acabaria com todos os níveis hierárquicos e quem ficasse teria muito mais autonomia e, como contrapartida, mais responsabilidades, não apenas com a sua área especificamente, mas com todas as áreas da companhia. Como devia ser esperado, 14% dos funcionários não concordaram com o novo modelo e foram muito bem remunerados para sair e irem procurar um chefe.

A Valve , empresa de games localizada em Seattle, é considerada a melhor empresa de software para se trabalhar. O seu “Manual para Novos Funcionários” é uma ode à gestão participativa e, aos olhos dos gestores mais tradicionalistas, pode parecer um livro de ficção… Ou de terror.

Nele fica claro que a Valve é uma “empresa plana” na qual nem o presidente-fundador exerce papel gerencial.

Para finalizar, eu acredito que a holocracia ainda está muito distante da maioria das organizações, acho até que dificilmente ela será adotada por uma quantidade muito expressiva de empresas, mas, complementando o que disse naquela entrevista em 2012, afirmo que quem quiser atrair e reter os jovens mais bem preparados para efetuar as grandes mudanças na nossa sociedade terá que deixar de blá blá blá e abrir mão do tão valorizado poder.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

 

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