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Subindo a montanha – Team building na vida real

Como curiosa sobre desenvolvimento pessoal e liderança já ouvi inúmeras vezes comparações entre subir montanhas e alcançar objetivos em equipe. Sempre achei essa história um tanto exagerada, quase um conto do vigário de quem quer vender consultoria, até que tive que (tentar) subir uma montanha, literalmente.

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A Montanha Real

Recentemente fui ao Peru com um grupo de seis pessoas das quais só conhecia uma anteriormente. No primeiro dia da viagem fomos a Macchu Picchu e um dos passeios era subir a montanha local para apreciar uma vista panorâmica das ruínas. Eu estava super empolgada e bem disposta para o desafio.

Chegando na entrada do sítio arqueológico, já tinha lido em diversos lugares que deveríamos contratar um guia local.  A discussão do grupo começou nesse ponto: um dos integrantes disse que não queria pagar alguém “para explicar aquele monte de pedra amontoada por uns índios velhos” e meu tesão, ou minha potência de agir segundo o professor Clovis de Barros Filho, já deu uma bambeada. Depois de muito argumentar, consegui convencê-los a “fazer o sacrifício” de pagar o tal guia.

O percurso entre a entrada e o início da trilha era uma caminhada de pouco mais de cinco minutos. Eternos cinco minutos: nesse tempo ouvi tanta reclamação sobre a temperatura do dia, sobre como não tinha corrimão, a água que iria esquentar no trajeto, o chão escorregadio e até das plantas que eram um verde muito escuro. Tentei discutir, mas seria em vão: eles eram cinco super amigos e eu estava de “intrusa” na viagem. Finalmente chegamos na montanha e começamos a trilha. As reclamações não pararam e meu tesão foi a zero. Zero mesmo. Aquele estado de parar e sentar. O grupo, então, reclamou que eu tinha parado de andar.

Em uma rápida avaliação do momento, pensei nas minhas possibilidades:

1 – Desbravar a trilha sozinha, sem o guia e sem apoio;

2- Continuar com o grupo e aguentar o comportamento negativo deles. Todos queriam chegar no topo, afinal;

3 – Voltar e descobrir o resto do local: o parque é bem grande e tem muita coisa para conhecer.

Escolhi a número 3: minha experiência em trilhas é quase nula, minha potência estava baixa e eu, sinceramente, não suportava mais o negativismo do grupo. Combinei com o guia que os encontraria dali quatro horas no ponto inicial e desci. Foi a melhor decisão para o meu dia – recuperei as energias, me motivei, andei o parque todo e alcancei meu objetivo inicial de conhecer Macchu Picchu (e tirar fotos com lhamas).

E o grupo? Bom, em menos de uma hora eles desistiram da trilha e a maioria deles resolveu sentar na lanchonete e passar o resto do dia tomando cerveja.

A Montanha Fictícia

Ao volta para casa e pesquisar mais sobre a metáfora da escalada da montanha, encontrei algumas metodologias de trabalho de construção de equipe. Enumero abaixo uma livre interpretação que acredito se adequar ao que vivi e ser possível adaptar para o mundo corporativo:

1 – Definição do briefing e objetivos – Colocar todo mundo na mesma página: para onde estamos indo, quais dificuldades/facilidades podemos encontrar no caminho, as metas a serem cumpridas e o que se espera no final;

2 – Definição dos papéis de cada um – Por menor que seja a trilha há funções a serem exercidas: quem levará água e suprimentos, o responsável pelo mapa, quem cuidará do kit de primeiros socorros, etc. Nessa fase cabe ao gestor da equipe identificar entre eles quem melhor fará cada tarefa e confirmar que todos estão dispostos a enfrentar o desafio

3 – Planejamento de rota – Definição das etapas da trilha, os marcos do trajeto, pausas para descanso. A discussão deve ser feita em grupo, para que todos exponham seus pontos de vista e as expectativas de percurso sejam alinhadas.

4 – Subida – A realização do que foi planejado. Ter alguém que já fez o caminho anteriormente como integrante da equipe ajudará os outros a se sentirem mais seguros e servirá como guia, principalmente nos momentos difíceis e de imprevistos, além de saber reconhecer as etapas em que o grupo está.

5 – Chegada ao Topo – A chegada no topo deve ser muito bem comemorada pela equipe e ter seu devido reconhecimento. Os integrantes devem celebrar o alcance do objetivo conjunto e da vitória pessoal de cada um. Depois de muito comemorado é hora de descer.

6 – Descida – A descida é a volta à realidade. A equipe estará empolgada, porém cansada. Cabe ao líder manter essa motivação e fazer com que todos voltem às suas atividades normais sem perder o entusiasmo ou o aprendizado e a interação entre o grupo conseguida durante a trilha.

Como exercício final é essencial que a equipe e seus líderes tenham reuniões individuais e em grupo para passagens de feedback, aprendizados e comentários finais sobre a experiência.

Quanto a mim? Apesar de continuar com o grupo, pois tínhamos mais três dias de viagem juntos, empreendi sozinha pelas cidades que passamos e aprendi muito, além de conhecer muita gente interessante pelo caminho, mas na próxima com certeza farei uma reunião de briefing antes mesmo de comprar passagem.

Cristina Chaim

Publicitária formada pela USP, é voluntária no CISV e atua como gestora de comunidades sociais corporativas online

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