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Sobre as crises e seus efeitos na gestão de pessoas.

A crise está aí, é inegável. Por mais que o governo justifique e tente diminuir sua intensidade, não dá para desmentir os números. PIB baixo ou negativo, queda na abertura de novas vagas de emprego, inflação acima do teto da meta, balança comercial desfavorável, etc., etc., etc.

Pior que os números são as consequências deles no astral das pessoas. Falar da crise virou rotina, fala-se dela tanto quanto se fala sobre futebol, novela ou, especificamente nesse ano de 2014, sobre as eleições. E crises são assim: quanto mais se fala delas mais elas crescem, se não na realidade, pelo menos na nossa cabeça, abalando a confiança no futuro, a autoestima, a motivação e, por tudo isso, a produtividade das pessoas.

O que fazer então? É claro que não dá para ignorar a crise, fingir que está tudo bem e esperar serenamente para que a economia reaqueça, os investidores retornem, os preços caiam e voltemos a nos vangloriar de uma situação de (pseudo) pleno emprego, como aconteceu até recentemente.

Mas também não dá para nos desesperarmos e, por isso, deixar que a crise nos engula ou nos conduza para lá e para cá a seu bel-prazer. Fazer isso é tão perigoso quanto estarmos em um barco à deriva no mar revolto, cercado por rochedos e com apenas uma pequena passagem para um lugar seguro. Nessa hora não dá para depender da sorte, é preciso ter visão para enxergar além da crise, serenidade para traçar estratégias e pulso firme para executar as ações que podem nos levar com segurança ao “outro lado”.

Para sair dessa comece por imaginar o que seria mais importante para o seu negócio nesse momento. Ampliação da base de clientes, aumento de faturamento, recuperação da margem de lucro, aumento de produtividade ou… O óbvio ululante… Redução de custos. Não, não, eu não tenho nada contra a redução de custos, alias, acho que a capacidade de manter os custos baixos e a produtividade alta é uma habilidade muito apreciada nos bons gestores e fator fundamental para o desenvolvimento de qualquer tipo de negócio.

O problema está nos meios normalmente usados para reduzir custos que, quase sempre, passam pelo RH e afetam diretamente as políticas de gestão e desenvolvimento de pessoas.

Cortam-se posições sem muita consideração com as pessoas que as ocupam. A não ser que os cortes aconteçam na alta direção, pouco cuidado é tomado com o day after dos demitidos, azar dos que saíram e coitados dos que permaneceram, pois terão que assumir as tarefas que ficaram “sem dono”, afinal, nesse tipo de corte, vão-se as pessoas, mas o trabalho que elas faziam permanecem. E dizem que isso é “fazer mais com menos”…

Outro custo cortado equivocadamente é o ligado a treinamento e desenvolvimento, e isso só aumenta o problema. Se as pessoas que ficaram terão que trabalhar mais e acumular funções, seria muito desejável que a capacitação e a motivação delas fossem priorizadas pelos gestores, mas, nessas condições, a falta de tempo para as atividades de desenvolvimento soma-se ao corte impositivo e muitas vezes precipitado do orçamento.

E essa série de equívocos retroalimenta a crise. Pessoas cansadas, desmotivadas, trabalhando sob a pressão velada do medo do desemprego se impõem uma redução de consumo – ainda que inconsciente – que afeta diretamente as empresas.

Para evitar isso, encare a crise com criatividade e inteligência. Invista na qualidade do atendimento e em produtividade lembrando sempre que capacitação e desenvolvimento de pessoas não é simplesmente custo ou despesa, é investimento e, como se espera dos bons investimentos, gera receita e pode ser o diferencial que fará a empresa atravessar a crise de forma mais segura e preparada para o “bom tempo” que virá.

Afinal, as crises, assim como as tempestades, sempre passam.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

 

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