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Quem ainda acredita em trabalho em equipe?

Toda vez que publico algo sobre trabalho em equipe recebo inúmeros comentários sobre a “realidade” vivida nas organizações que, apesar de cobrarem o tal trabalho em equipe, incentivam a competição e, com isso, destroem parte dos esforços de alguns líderes que realmente tentam desenvolver equipes e não apenas juntar pessoas.

Mas esse não é o único tipo de comentário que recebo, alguns são mais elaborados e, apesar disso ou por isso mesmo, deixam transparecer todo o ceticismo escondido por trás das palavras. Recentemente republiquei o texto “O Segundo Abraço” que é de 2008, mas, por algum motivo, tinha se tornado muito pertinente para mim naquela semana.

Nesta oportunidade recebi um comentário que continha a seguinte frase:

“Se você não sabe trabalhar em equipe, vai dançar. Se você trabalha muito bem em equipe, também vai dançar, porém, vai se sentir mais feliz”.

Desnecessário dizer que eu não concordo com isso, pelo menos não com a segunda parte da frase, já que na primeira o leitor afirma que quem não trabalhar em equipe vai se dar mal e acho que isso já ficou claro pra todo mundo, inclusive para os mais descrentes, do tipo que, nas empresas, se esforçam em fingir comprometimento com o grupo, apesar de estarem quase sempre jogando contra.

Mas vamos ao motivo pelo qual eu não concordo com o fato de que todo mundo vai se dar mal, mesmo que estejam felizinhos.

O trabalho em equipe há muito tempo está acima da lógica de gostar ou não gostar, querer ou não querer, acreditar ou não acreditar. Isso não quer dizer necessariamente que todos deverão ser amigos, participar de happy hours juntos e muito menos ser padrinhos de casamento ou do bebezinho recém-nascido, se isso acontecer é sinal de que a relação profissional evoluiu para uma sólida amizade, é bacana, mas é só uma amizade.

É importante lembrar que mesmo os gestores mais pragmáticos e linha dura costumam montar suas equipes, eles querem cercar-se de pessoas em quem possam confiar as tarefas, o trabalho, o projeto e não estão preocupados se estas pessoas poderão vir a ser seus confidentes ou se jantarão nas suas casas algum dia. Eles buscam resultados e sabem que não os atingirão sozinhos. Estes, aliás, também não estão preocupados com o bem estar de seus funcionários, eles querem apenas que as equipes trabalhem para eles. E tem muitos funcionários que se adaptam – ou se sujeitam – a essa condição.

Mas não é nesse tipo de gestor e de equipe que eu tenho interesse. Meus estudos e trabalhos são sempre sobre liderança e equipes de alta performance. Líderes de verdade constroem outro tipo de relação, pautada na convergência de valores e na confiança mútua. Nesse tipo de equipe ninguém está preocupado em aparecer individualmente, nem o próprio líder, todos se comprometem com um objetivo e, independentemente do protagonismo desse ou daquele, que sempre existe, as conquistas são de todos, não importando as diferenças hierárquicas ou as do contracheque.

É importante ter clareza que, nas equipes de alta performance, as diferenças de capacitação, competências e de potenciais existem e é desejável que existam, uns terão mais evidência e sucesso que outros, mas todos podem evoluir muito mais, se trabalharem em uníssono convergindo para os resultados planejados.

Tão importante quanto isso é saber que o ser humano é competitivo por natureza – a biologia diz que as presas têm os olhos nas laterais da face para aumentar a área de vigília, e os predadores possuem olhos na parte frontal para evitar dispersão na hora do ataque – e isso não deve ser mudado.

Um grande diferencial dos líderes de equipes é conseguir promover a cooperação nos grupos de trabalho sem que, individualmente, se perca o prazer pela competitividade.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

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