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Pode uma má pessoa ser um bom profissional?

Essa foi a pergunta – única – que o professor escolheu para a prova da disciplina de Gestão de Pessoas na minha graduação em Administração no final da década de 1980.

Essa pergunta nunca saiu da minha cabeça, principalmente depois que me tornei um profissional de Desenvolvimento Humano Organizacional e que, por força do ofício, passei a conviver com esse dilema quase que diariamente.

Hoje, para responder essa pergunta, vejo uma primeira grande dificuldade: Como definir “má pessoa”? Não consigo pensar nisso sem recorrer ao julgamento e, com isso, correr o risco de ser injusto, preconceituoso e, quem sabe, ignorante.

Para começar a definir a “má pessoa”, acho plausível diferenciar as que apresentam deficiências éticas ou de escrúpulos daquelas que possuem determinados maus hábitos que no extremo podem se tornar vícios e que, quando julgadas por alguns, acabam sendo vítimas de críticas e preconceitos sem que se leve em consideração sua história de vida.

Mas vou me ater àquelas que eu classifico como más pessoas. Elas são autocentradas e não levam em consideração as consequências de seus atos. Pensam apenas e tão somente nos seus objetivos pessoais de curto prazo. Costumam dar bons resultados nas empresas em que trabalham, mas colecionam problemas de relacionamento e, por isso, possuem inúmeros desafetos no seu mercado de atuação.

Voltando a pergunta do título, não vejo como uma pessoa inescrupulosa e antiética possa ser considerada um bom profissional, nem no curto e nem no longo prazo. Os meios pelos quais elas conseguem seus resultados não se sustentam ao longo do tempo, mas mesmo no curto prazo, quando o resultado que elas apresentam parece muito positivo, é possível perceber o estrago que elas fazem no entorno, principalmente em funcionários diretos e fornecedores e, às vezes, até em clientes.

Se isso acontece, de quem é a responsabilidade da prevenção ou correção? É claro que é dos níveis hierárquicos superiores que, na maioria das vezes, preferem fazer vistas grossas e se amparar nos resultados imediatos do dito “bom profissional”.

Em contrapartida, os mesmos que protegem os antiéticos e inescrupulosos, não raro promovem uma verdadeira caça às bruxas aos funcionários com “problemas de desempenho”, mas que na verdade precisam é de mais orientação, capacitação, enfim, precisam de uma liderança efetiva que lhes facilite o desenvolvimento profissional e, por consequência, o crescimento pessoal.

Alguns maus hábitos também podem interferir de forma definitiva no desenvolvimento profissional. O gosto pelos jogos de azar, a hipersexualidade, a boêmia, o consumo desregrado de álcool, entre outros hábitos podem ser tratados com resultados muito bons a depender do nível de consciência ou reconhecimento do problema por parte da pessoa a ser tratada.

Mas falta de caráter, de ética, de escrúpulos e de sentimentos para com o próximo é muito mais difícil de serem tratados, principalmente porque raramente estas características são admitidas.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

 

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