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Palestra motivacional! Isso funciona?

De repente me vi no meio do universo das palestras motivacionais. No começo nem havia percebido, mas, depois do quarto ou quinto cliente, para os quais prestava serviço de consultoria na área de desenvolvimento de lideranças e de equipes, me convidarem para dar palestras motivacionais para seus funcionários, me rendi aos fatos e me aprofundei no assunto.

Vi que eu tinha um grande preconceito contra esse tipo de atividade, talvez por algumas experiências vividas nas quais saí do auditório com a nítida sensação de que havia assistido a uma stand up comedy, nessas situações geralmente se ri muito com as piadas e as caras e bocas devidamente treinadas, mas pouco se absorve de conteúdo que possa ser útil no dia seguinte

Meu preconceito vinha também de outro gênero existente nesse mercado, aquele que acha que quanto mais pessoas chorando na plateia mais sucesso está fazendo. Ok, eu sou daqueles que acredita piamente que se não houver sentimento não haverá mudança, mas convenhamos, chorar com uma história triste ou com uma situação extrema não quer dizer que o sentimento garantirá mudança de comportamento, se fosse assim as novelas mexicanas e outros dramalhões do gênero já nos teria garantido um mundo melhor.

No outro extremo estão os que classifico como conferencistas, estes ficam num púlpito, ao lado do computador, olhando muito mais para sua projeção de PowerPoint do que para o seu público. Desnecessário dizer que suas falas, apesar de geralmente serem muito ricas em conteúdo – dados de pesquisas e outras informações – são extremamente entediantes.

Diante disso procurei saber por que meus clientes queriam que eu fizesse palestras já que não me considero um ás do humor e muito menos um concentrado leitor PowerPoint. Pois bem, com essa dúvida muito bem implantada na cabeça, procurei tirá-la exatamente com quem a havia criado, ou seja, fui perguntar aos meus clientes.

Na verdade eu imaginava qual seria a resposta, mas queria uma confirmação para posicionar-me de forma mais assertiva nesse mercado extremamente competitivo e muito banalizado.

Com a resposta dos meus clientes, consegui mais do que imaginava, rompi meu preconceito e entendi como poderia contribuir com meus clientes apenas expondo, de forma clara e bem humorada, com total embasamento técnico e com inúmeros exemplos vivenciados na minha trajetória corporativa – tanto como executivo, quanto como consultor – o que sei sobre (auto)gestão de carreira, liderança, equipes de alta performance e sobre o problemas causados pela “miopia corporativa”.

Concluí que motivar as pessoas sempre foi o meu papel e procuro fazer isso o tempo todo, presencialmente – com os que são da minha convivência ou nos trabalhos de consultoria –  correspondendo-me com aqueles que me procuram ou buscando atingir uma gama bem maior de pessoas através dos blogs e outras mídias que participo e também nas redes sociais.

Para que o resultado esperado de uma palestra seja atingido e para que o os funcionários percebam o benefício na participação, é importante que a palestra esteja bem contextualizada e faça parte de um esforço maior de motivação e mudança e não apenas um evento isolado com a pretensão de resolver problemas estruturais ou de gestão da empresa contratante. Se este for o caso, talvez seja melhor investir numa stand up comedy, que são inócuas, mas não geram expectativas.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

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2 Comments

  1. Luciano Pires08-29-2014

    Caro Luiz Eduardo, palestrar é um privilégio. Vivi a mesma dúvida que você quando entrei neste mercado, certamente mal impressionado com vários show men que me colocaram em situações constrangedoras ao longo de minha carreira como executivo, nas centenas de palestras que assisti. Aquilo é que era “motivação”? Por isso mudei para “palestras provocacionais”.
    Costumo dizer que minhas palestras são uma sucessão de obviedades. Tudo que falo a pessoa provavelmente já sabe ou já ouviu antes. Mas não do jeito que mostro… Uma frase bem colocada, um exemplo de superação, uma história de liderança, um sucesso, um fracasso, uma história bem contada, enfim, pode ser a gota d’água, o elemento que dá a ignição para uma iluminação de alguém. E a perspectiva de que possamos de alguma forma impactar na vida de outra pessoa é que é esse privilégio. Isso é motivação? Que seja então, que bom!

    Pessoalmente não acredito em motivação como algo de fora para dentro. Acredito na inspiração e em respeitar a oportunidade de ter diante de mim 300 pessoas que estão em entregando 90 minutos de suas vidas. 2.700 minutos de vida que não tenho o direito de desperdiçar.

    Quero diverti-las, ao mesmo tempo em que entrego um conteúdo pertinente e que possa ser a fagulha que desencadeia o incêndio.

    parabéns a você que compreendeu isso também. E se o rótulo “motivação” é só o que os que nos contratam entendem, que seja. Eu entrego provocação e inspiração. E tem dado certo.

    Um grande abraço

    Luciano Pires

    • Luiz Eduardo Neves Loureiro09-09-2014

      Olá Luciano,

      Agradeço sua contribuição, tenho pesquisado sobre a melhor forma de me inserir na “comunidade” de palestrantes e uma das melhores referências que encontrei foi o seu portal keynotespeakers.
      Concordo plenamente com você sobre a motivação interna e a capacidade que alguns palestrantes têm de inspirar e mobilizar as pessoas gerando a auto motivação necessária para a mudança que tantos querem, porém, sem saber exatamente por onde começar ou a quem recorrer.

      É exatamente isso que me atrai nessa atividade.

      Mais uma vez agradeço.

      Um abraço,

      Luiz Eduardo.

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