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O que a copa do mundo no Brasil pode ensinar aos gestores de pessoas.

Há pouco mais de um ano escrevi um texto com o título “O que gestores de pessoas têm a aprender com a seleção brasileira de futebol”. Nele analisei o momento da seleção que acabava de ter seu técnico substituído, na ocasião saiu Mano Menezes e entrou Luiz Felipe Scolari, o Felipão, que estava reconhecidamente em um mau momento, tendo inclusive se demitido do clube que treinava – o Palmeira – que se encontrava na iminência do rebaixamento o que, de fato, aconteceu.

Naquele momento a seleção sofria de um descrédito generalizado. A maioria dos jogadores não tinha nenhuma afinidade com a torcida brasileira pela opção de construir suas carreiras na Europa, o técnico, de um mau humor e ranhetice que já virou folclore, dizia que não tinha satisfações a dar a ninguém, e a CBF, instância máxima do futebol brasileiro, estava (está) metida até o pescoço em escândalos de corrupção e má gestão.

Esse era o cenário, tinha tudo para dar muito errado para os planos da CBF e vinha dando, mas então chegou o mês de junho de 2013 e com ele o despertar do gigante. Saímos às ruas para reclamar, reivindicar, enfrentar e exorcizar tudo aquilo que nos assombrava e oprimia desde sempre. E tivemos vitórias significativas. A síndrome do coitadinho deu lugar a um sentimento de poder que nem imaginávamos ter e, com ele, o nacionalismo voltou.

As bandeiras brasileiras que só eram exibidas em eventos esportivos e, de forma muito tímida, nas comemorações do 7 de Setembro, eram tremuladas com orgulho e satisfação nas manifestações que aconteciam Brasil afora.

No meio disso tudo aconteceu a Copa das Confederações e nós, que continuávamos apaixonados por futebol, comparecemos aos estádios já sem a síndrome do coitadinho, fomos imbuídos de muita força, convicção e um sentimento de pertencimento que há muito não sentíamos. Cantar o Hino Nacional à capela foi mais bonito que os gols dos jogos. Foi aí que tudo mudou e é isso que quero relacionar à gestão de pessoas.

O senso de pertencimento – que acabou por contagiar os jogadores em campo – tem o poder de energizar as pessoas e alterar cenários muito rapidamente. É ele que, nas guerras, dá a vitória aos que são teoricamente mais fracos. E assim aconteceu, a seleção brasileira ganhou a Copa das Confederações e, com isso, a confiança, ainda que contida, da maioria da torcida.

Mas o senso de pertencimento precisa ser realimentado sob pena de se perder, de lá para cá se passou um ano e, em que pese ainda existir certa animação com a seleção, as instituições envolvidas não fizeram sua parte. O governo, nos vários níveis, continuou praticando sua incompetência, a CBF – e também o governo – se omitiu e se submeteu a FIFA, devedora de favores que é, enfim, de tudo que foi prometido quase nada foi cumprido.

Isso tudo abriu espaço para as greves de serviços essenciais, como as do transporte público que acabamos de vivenciar em São Paulo.

E o senso de pertencimento das pessoas? Como sentir orgulho do Brasil com tudo o que está acontecendo? Como ser a favor da copa se ela está atrapalhando nosso cotidiano e envergonhando uma parcela expressiva de brasileiros.

Pois bem, voltando à gestão de pessoas, cuide para que seus funcionários tenham um forte senso de pertencimento, isso tem a ver com orgulho de trabalhar na empresa, consumir e recomendar seus produtos e serviços e defendê-la com sua produtividade, assiduidade e comprometimento com objetivos e metas.

Mas lembre-se, prometeu cumpra, se os planos mudarem comunique, se houver conquistas compartilhe, e trate todos os funcionários da maneira que eles gostariam de ser tratados. Dessa forma a lealdade será estabelecida e a empresa será suportada em todos os seus projetos e objetivos estratégicos, muito diferente do sentimento que paira numa grande parcela de brasileiros em relação ao país e a copa do mundo.

Em tempo: vou torcer pelo Brasil sempre, tanto pelo verdadeiro desenvolvimento do nosso país como para a seleção de futebol, mesmo considerando a má qualidade da nossa gestão pública e a pouca perspectiva de que isso melhore no curto prazo.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

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