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Líder, um eterno aprendiz

Certa vez decidi fazer um curso que pensava ser decisivo para a reestruturação profissional que estava planejando para mim.

Um curso extremamente reconhecido e valorizado pelo mercado, com professor “gringo” e inscrições esgotadas muito antes do início de cada turma.

Era meu sonho de consumo.

Entretanto, quase desisti de tudo na primeira meia hora de curso. O que ouvi logo no início foi como um banho de água fria, tive que usar toda a minha paciência e desprendimento – de valores e conceitos – para esperar a pelo restante do programa.

Disse o “mestre”: “Por favor, esqueçam tudo o que vocês sabem ou ouviram falar sobre esse tema. Vocês vieram aqui para aprender e eu vim aqui para ensinar. Não busquem associações com o que já conhecem, vocês aprenderão coisas novas aqui”.

Não falou exatamente com estas palavras, mas foi, dessa maneira que me soou. Pareceu-me arrogante e pouco educado, principalmente considerando a quantidade de conhecimento e experiência que eu imaginava haver na “bagagem” dos alunos presentes naquela sala.

Conto isso como parte de uma reflexão  sobre o papel do líder no desenvolvimento das pessoas. Entendo “líder” como qualquer um que tenha a responsabilidade de dividir seus conhecimentos e, com isso, melhorar a vida de outros, ou aqueles que, mesmo sem ter a responsabilidade formal, aproveitam as oportunidades para influenciar positivamente os indivíduos de sua convivência.

Nesse grupo estão incluídos os pais, professores dos diversos níveis de ensino, gestores diretos, mentores profissionais, colegas, amigos, etc. Ou seja, oportunidade para influenciar outros todo mundo tem, por isso é bom estarmos conscientes da força das nossas palavras e dos nossos atos.

O líder não deve entrar em uma relação com a intenção de ensinar. Preferencialmente ele ensina pelo exemplo e, quando o ensinamento se dá pela palavra, o aprendizado se dá mais pela paixão, convicção e respeito contidos na fala, do que propriamente pelo conteúdo. Além disso, o líder jamais deixa de levar em consideração o conhecimento prévio e a história de vida dos seus liderados.

Por isso, os bons exemplos de profissional e de pessoa, que respeitam a todos incondicionalmente e que falam de suas convicções com paixão e vibração contagiante, se tornam referência e modelo para alguns que passam pela sua vida, mesmo sem nunca terem tido essa intenção.

Em tempo. O curso a que me referi no início foi ótimo e foi, sim, decisivo para a minha reestruturação profissional. Ainda bem que, ao respirar e contar até dez, involuntariamente me dei a oportunidade para desfazer a má impressão do começo e aproveitar ao máximo todo o conhecimento contido naquele ambiente.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

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