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Efeito Lúcifer – Quem é o culpado por esse “inferno”?

Uma interação com duas amigas no Facebook sobre a matéria “O crescente “efeito Lúcifer” dentro das Organizações”, publicada pelo site do Valor Econômico em 17/07/2017, gerou boas reflexões sobre os problemas de liderança que as empresas vêm enfrentando.

Para contextualizar, Efeito Lúcifer é o título de um livro que conta a história da pesquisa realizada por Philip Zimbardo na Penitenciária de Stanford na qual ele constatou que pessoas boas cometem enormes atrocidades quando lhes é dado poder sobre outras pessoas.

Daí a se comparar com estilos de liderança “pouco cordiais” e absolutamente desrespeitosos foi um passo.

Na conversa no Facebook disse que o meu trabalho tem sido tratar das consequências nefastas que os “Lúcifers” trazem para a confiança, autoestima e, por consequência para a produtividade de suas equipes.

Isso me gera bastante trabalho, mas o motivo é lamentável.

Uma das amigas me perguntou, já que tenho trabalhado tanto no tema, se eu sabia por que as empresas estão criando tantos “Lúcifers”… Segue minha resposta com algumas adequações para maior clareza das frases:

Pois bem, eu não tenho uma conclusão, mas tenho algumas hipóteses.

A principal delas é sobre as metas de curto prazo que rendem bônus, gratificações, promoções, etc. A lógica é a seguinte: “…me diga como serei medido e eu defino como vou agir…”. Ou seja, meta de curto prazo remete a pressão total agora e pouca consideração com consequências futuras

O problema é que estes Lúcifers entregam resultado de curto prazo, então, para acionistas, CEOs e toda a cadeia de executivos daí para baixo vale a máxima de que os fins justificam os meios. Para eles o importante é a última linha do balanço estar azul, contudo, não contabilizam absenteísmo, turnover e todos os custos indiretos que eles geram.

Para eles, ação trabalhista virou indústria e ponto… É melhor pensar que o problema está lá fora do que cuidar de mitigar os riscos escolhendo e capacitando melhor a liderança em todos os níveis funcionais.

Outro problema é certa “preguiça” que existe para tratar de temas delicados como assédio moral, baixo comprometimento com a empresa, ambiente “pesado” entre outros, nesses casos eles preferem minimizar as evidências dos problemas buscando desculpas e justificativas, inclusive em fatores externos. Vale também desqualificar aqueles que apontam o problema.

Contudo, existem muitos outros geradores de Lúcifers nas empresas e certamente a dificuldade em lidar com o poder é uma delas, mas destaco também insegurança do gestor, promoções mal avaliadas, divergências e disputas pessoais, etc.

Em tempo: Eu não acredito no efeito Lúcifer do jeito que ele aparece no estudo. Para mim, o poder, seja ele decorrente de muito dinheiro ou de um cargo executivo, apenas libera e, em alguns casos, potencializa traços de personalidade que o indivíduo já tem.

Felizmente existem ótimos exemplos de líderes empresariais que confirmam essa minha impressão. Torço e trabalho muito para que estes se tornem maioria nas organizações o mais rápido possível.

Luiz Eduardo Neves Loureiro – Coach, consultor e palestrante

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