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Assédio Moral: A sujeira varrida para debaixo do tapete.

Assédio moral é um tema tabu nas organizações. A maioria das empresas têm, todo mundo sabe de pelo menos um caso, ou pior, já sofreu na pele as consequências dessa prática nefasta e devastadora.

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Nefasta porque é maldade pura e devastadora porque prejudica todos os envolvidos, empresa inclusive, sendo pior, é claro, para as vítimas pelas inúmeras consequências indesejáveis, algumas muito graves que elas sofrem..

Então por que as organizações quase nunca tratam o problema? Normalmente é simplesmente pela falta de vontade ou medo de se enfrentar o problema ou porque o resultado do trabalho apresentado pelo agente do assédio é considerado bom

A não ser que haja uma denúncia ou que um caso seja exposto de tal forma que fique impossível continuar ignorando, o normal é que nada seja feito contra o malfeitor e muito menos para proteger a vítima, que muita vezes é tratada com pouco caso e desconfiança, como se fosse ela a culpada pelos fatos.

Independentemente de denúncias ou barracos armados que escancaram o problema, é impossível que os líderes não saibam das ações de seus subordinados, ou que acionistas não conheçam os métodos de seus executivos, CEOs inclusive, pelo simples fato de que todo mundo na empresa sabe.

Eu, no tempo em que fui bancário, vi e ouvi de tudo. Desde uma diretora que disse para uma gerente grávida que ela deveria ter feito sexo anal para que a agência não perdesse sua produção durante a licença maternidade (chocante isso, não?), até outro que destituiu o gerente geral da agência por fax, pediu para que o subgerente assumisse, deixando o titular sem função e totalmente constrangido por mais de quinze dias uma vez que não o demitiu. Fez tudo isso sem o conhecimento do RH ou de qualquer outro departamento do banco.

O que esses dois casos têm em comum? Além de caracterizarem muito claramente ações de assédio moral, nos dois casos, quando comentados nas rodinhas daqueles que se indignavam, sempre tinha a turminha do deixa disso dizendo que era pra relevar porque se tratavam de pessoas conhecidas pela sua dureza, mas que sempre deram bons resultados para a empresa.

A explicação mais comum para o fato de se ignorar tão descaradamente o assédio moral é a famosa última linha do balanço. Se ela estiver azul na área comandada pelo malfeitor, pouca atenção é dada para os métodos utilizados.

Corto para minha atividade de consultor de empresas.

Atuando com desenvolvimento de Lideranças e Equipes de Alta Performance, vejo que o comportamento descrito acima é recorrente em todo tipo de empresa. A grande maioria só encara os casos de assédio moral de frente quando têm reclamações nos “disque ética”, ou áreas de compliance com ligações anônimas, pois poucas vítimas têm coragem de enfrentar seus algozes ou reclamar de cara limpa para ele ou no RH, por exemplo, apesar de, na maioria das vezes, uma ação firme e pontual dê excelentes resultados.

O fato é que quando se olha apenas o resultado financeiro demonstrado na última linha do balanço, não se contabiliza os custos do absenteísmo, já que as faltas ao trabalho são frequentes devido às patologias relacionadas ao estresse; os custos gerados pelo turnover elevado, porque qualquer oportunidade de trabalho, por pior que seja, é considerada como forma de se livrar do opressor; o custo de recrutamento e seleção, porque a área fica estigmatizada no mercado afastando os melhores candidatos.

Contudo, o pior ônus é aquele gerado pela baixa produtividade comum nas áreas onde prevalece a gestão pelo medo. Nelas as pessoas trabalham tristes, de cabeça baixa a espera que algo melhor apareça ou que sejam demitidas, aí elas se vingam entrando com uma ação trabalhista, (que também não entra nos cálculos dos que defendem os malfeitores do assédio moral), mas isso é assunto para outro capítulo.

Luiz Eduardo Neves Loureiro

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